A depressão é uma condição complexa com múltiplos fatores (genéticos, psicológicos, ambientais), mas a nutrição emerge como um fator modificável significativo. O estudo SMILES (2017) foi o primeiro ensaio clínico a demonstrar que uma intervenção dietética (dieta mediterrânea modificada) pode melhorar sintomas depressivos de forma comparável a terapia psicológica. O mecanismo envolve: inflamação crônica de baixo grau (ultraprocessados aumentam citocinas inflamatórias que afetam o cérebro), microbiota intestinal (disbiose altera produção de serotonina e GABA), e deficiências nutricionais específicas (ômega 3, folato, vitamina D, zinco e magnésio estão consistentemente baixos em pessoas deprimidas). A psiquiatria nutricional é um campo crescente que reconhece a dieta como pilar complementar ao tratamento convencional.
Sozinha, não substitui tratamento convencional (psicoterapia e/ou medicação). Porém, o estudo SMILES demonstrou que melhorar a dieta produziu remissão em 32% dos participantes com depressão moderada a grave (vs 8% no grupo controle). A alimentação é um pilar complementar poderoso, especialmente quando combinada com exercício, sono e tratamento profissional. Nunca suspenda medicação por conta própria.
Não diretamente, mas há forte associação. Dietas ricas em açúcar e ultraprocessados aumentam inflamação crônica, desregulam a microbiota intestinal e causam instabilidade glicêmica — todos fatores que agravam humor. Estudo prospectivo com 8.000 participantes mostrou que alto consumo de açúcar aumentou o risco de depressão em 23% ao longo de 5 anos.
A evidência é a mais forte entre os suplementos. Meta-análises mostram que suplementos com predominância de EPA (1-2g/dia) reduzem significativamente sintomas depressivos. O EPA parece ser mais eficaz que o DHA para humor. Funciona melhor como adjuvante ao tratamento convencional do que isoladamente. Peixes 2-3x/semana também são eficazes e fornecem EPA+DHA naturalmente.