
Por 100g · Fonte: TACO — NEPA/UNICAMP, 4ª edição
| Nutriente | Por 100g |
|---|---|
| Calorias | 656 kcal |
| Proteína | 14.3g |
| Carboidrato | 12.3g |
| Gordura | 66.4g |
| Fibra alimentar | 7.5g |
| Vitamina C | 0.7mg |
| Ferro | 2.4mg |
| Cálcio | 160mg |
A castanha-do-pará (castanha-do-brasil) é uma oleaginosa nativa da Amazônia, de sabor amanteigado e textura crocante, extraída dos ouriços da castanheira (Bertholletia excelsa), árvore que pode atingir 50 metros de altura e viver mais de 500 anos. Com cerca de 656 kcal por 100 g, fornece gordura predominantemente insaturada (66 g), proteína (14 g), e é a fonte alimentar mais concentrada de selênio existente: uma única castanha fornece entre 70 e 90 mcg, superando a recomendação diária de 55 mcg para adultos. A concentração de selênio varia conforme o solo de origem, podendo ser significativamente diferente entre castanhas de regiões distintas da Amazônia. No mercado brasileiro, a castanha-do-pará é encontrada com casca, sem casca, crua, torrada e como ingrediente de mix de oleaginosas. A castanha fresca tem sabor mais suave; a torrada é mais crocante e pronunciada. Ao comprar, prefira castanhas íntegras, sem manchas escuras e sem cheiro rançoso. A aflatoxina (toxina de fungos) é risco real em castanhas mal armazenadas: compre de fornecedores confiáveis e descarte unidades com aparência ou sabor alterados. Na culinária, a castanha-do-pará funciona como snack puro, em mix de oleaginosas, como ingrediente de granolas, em receitas de pães e bolos, como leite de castanha (batida com água e coada), em farofas e como cobertura de pratos. A castanha-do-pará é produto extrativista: não é cultivada em plantações, mas coletada na floresta amazônica por comunidades ribeirinhas e extrativistas, o que conecta seu consumo à preservação da floresta em pé. A castanheira depende de abelhas nativas para polinização e de cutias para dispersão das sementes, em cadeia ecológica que torna a produção dependente da integridade do ecossistema. A porção de referência é modesta: 1 a 3 unidades por dia. A riqueza em selênio torna o consumo excessivo potencialmente problemático, já que selênio em excesso (selenose) causa sintomas desagradáveis. Armazene em recipiente fechado na geladeira para preservar frescor e evitar rancificação dos óleos. A castanheira é protegida por lei no Brasil: o corte é vedado por legislação, incentivando a economia extrativista como alternativa ao desmatamento. Cooperativas de castanheiros na Amazônia fornecem o produto ao mercado nacional e internacional com certificação de origem que rastreia a cadeia desde a coleta na floresta até a embalagem final.
Selênio é destaque ÚNICO da castanha-do-Pará — concentração mais alta em alimentos comuns. 1 castanha (~5g) = ~96µg de selênio (dose diária recomendada: 55µg). Selênio é antioxidante mineral importante pra função tireoidiana, sistema imune, fertilidade masculina. Também tem zinco (4mg/100g), magnésio e gordura monoinsaturada.
'Castanha-do-Pará é cara, não vale a pena' — meia verdade. CUSTO POR PORÇÃO é baixíssimo — 1-2 castanhas/dia (custo de R$1-2/dia em pacote 100g). Outro mito: 'pode comer várias por dia'. PERIGOSO — selênio em excesso é tóxico. Limite a 1-2/dia. Outro mito: 'castanha-do-Pará e do Brasil são diferentes'. FALSO — mesmo alimento, nomes regionais.

Uma a três unidades por dia é a referência mais citada, fornecendo entre 70-270 mcg de selênio. A recomendação diária de selênio é 55 mcg e o limite superior tolerável é 400 mcg. A moderação é mais relevante na castanha-do-pará do que na maioria das oleaginosas pela concentração excepcional de selênio.
São oleaginosas diferentes em sabor, textura e perfil nutricional. A do pará é mais gordurosa, mais densa e excepcionalmente rica em selênio. A de caju é mais leve, de sabor mais adocicado. A do pará é da Amazônia; a de caju é do Nordeste. São complementares em mix de oleaginosas.
Aflatoxina é uma toxina produzida por fungos que podem contaminar castanhas mal armazenadas em condições de calor e umidade. É risco real na cadeia da castanha-do-pará. Comprar de fornecedores com controle de qualidade, verificar aparência e descartar unidades suspeitas são medidas de precaução.
É um dos poucos produtos alimentícios obtidos por extrativismo sustentável na Amazônia. A coleta depende da floresta em pé: castanheiras não produzem em áreas desmatadas. O consumo de castanha-do-pará conecta diretamente o consumidor à economia extrativista e à preservação florestal.
Em granolas, bolos, pães, farofas, leite vegetal, como cobertura de pratos e em mix com frutas secas. O sabor amanteigado e a textura crocante complementam preparações doces e salgadas. Pique grosseiramente para manter textura nas receitas.
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