
Dieta com muito baixo carboidrato (geralmente abaixo de 50g/dia), alta gordura e proteína moderada. Induz o estado de cetose, em que o corpo usa gordura como principal fonte de energia.
A dieta cetogênica é um padrão alimentar muito baixo em carboidratos (<50g/dia, idealmente 20-30g), moderado em proteína e alto em gordura (70-80% das calorias). O objetivo é induzir cetose: quando o corpo, sem carboidrato suficiente, passa a usar gordura como fonte primária de energia, produzindo corpos cetônicos. Tem evidência forte pra epilepsia refratária pediátrica (uso há quase 100 anos). Pra perda de peso, funciona — mas não mais que outras dietas com mesmo déficit calórico. Pra diabetes tipo 2, pode ser útil em casos específicos. Pra todos os outros usos (autismo, câncer, alzheimer), evidência fraca. No consultório, prescrevo seletivamente: epilepsia (com neurologista), diabetes resistente, perda de peso em quem se adapta bem. Não pra todos.
| Alimento | Porção | Quantidade |
|---|---|---|
| Carnes (todas) | 150-200g | Proteína + gordura |
| Ovos inteiros | 3-4 unidades | Proteína + gordura ideal |
| Peixes gordos | 150g | Proteína + ômega 3 |
| Abacate | 1/2 unidade | Gordura monoinsaturada |
| Azeite extra-virgem | 2-3 colheres de sopa/dia | Gordura monoinsaturada |
| Castanhas (macadâmia, brasil) | 30g | Gordura + alguns minerais |
| Vegetais low-carb | à vontade | Folhas, brócolis, couve-flor, abobrinha |
Macros típicos: 5-10% carboidrato (20-50g), 15-25% proteína (1,2-1,7 g/kg), 70-80% gordura. Pra adaptação ('keto-flu'): hidratação intensa, 3-5g sódio/dia, magnésio e potássio. Adaptação leva 2-4 semanas. Avalie após 12 semanas: se perdeu peso, sente bem, sem efeitos colaterais — siga. Se sente mal, sem energia ou prejuízo de exames, abandone.
Não é dieta deficiente em si, mas pode ser mal feita. Riscos comuns: pouca fibra (constipação), pouco potássio/magnésio (cãibras, 'keto-flu'), excesso de gorduras saturadas (LDL elevado em alguns), restrição social/psicológica. Atendi paciente com colesterol LDL muito elevado após 6 meses cetogênica com excesso de bacon e queijo. Reduzimos saturadas, mantemos cetose com mais azeite, abacate e peixes — LDL melhorou em 8 semanas.
Pra perda de peso, não há diferença significativa quando déficit calórico é igual. Pra epilepsia refratária, sim — cetose é mecanismo terapêutico. Pra resistência à insulina severa, pode ter vantagem. Mas é mais restritiva e difícil de sustentar.
Tecnicamente sim, mas sustentabilidade longa é desafio. Muita gente faz por 3-12 meses, atinge objetivo, e migra pra low-carb tradicional ou alimentação balanceada. Não há benefício comprovado em fazer cetogênica por décadas em pessoas saudáveis.
Nenhum. Não há evidência clínica robusta de que cetogênica cure câncer em humanos (apesar de estudos in vitro promissores). Também não há evidência que cause. Em pacientes oncológicos, decisão deve ser com oncologista — perda de peso involuntária é contraindicação.
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