
Condição caracterizada pela redução de hemoglobina ou glóbulos vermelhos no sangue, comprometendo o transporte de oxigênio para os tecidos. É o distúrbio hematológico mais comum no mundo, afetando cerca de 1,6 bilhão de pessoas. A anemia ferropriva (por deficiência de ferro) é a mais prevalente, mas existem diversas causas — deficiência de B12, folato, doenças crônicas e causas genéticas. O diagnóstico e a identificação da causa são essenciais para o manejo adequado.
💡 Exemplo prático: A anemia ferropriva é a mais comum no Brasil, afetando cerca de 20% das crianças menores de 5 anos segundo dados do Ministério da Saúde.
Anemia é a redução de hemoglobina abaixo do normal: menos de 13 g/dL para homens, menos de 12 g/dL para mulheres e menos de 11 g/dL para gestantes (OMS). Os tipos mais relevantes em nutrição são: ferropriva (deficiência de ferro — 50% dos casos mundiais), megaloblástica (deficiência de B12 ou folato — hemácias grandes e imaturas), por doença crônica (inflamação crônica sequestra ferro nos macrófagos) e hemolítica (destruição acelerada de hemácias — causas genéticas como falciforme, ou adquiridas). A anemia ferropriva é especialmente prevalente em mulheres em idade fértil (menstruação), gestantes (demanda aumentada), crianças em crescimento, vegetarianos sem planejamento e idosos com absorção reduzida. O ferro alimentar existe em duas formas: heme (carnes — absorção 15-35%) e não-heme (vegetais, leguminosas — absorção 2-20%). Vitamina C na mesma refeição aumenta absorção de não-heme em até 3-6 vezes.
| Alimento | Porção | Quantidade |
|---|---|---|
| Fígado bovino cozido | 100g | 6,2mg ferro heme + B12 + folato |
| Carne vermelha magra | 100g | 2,7mg ferro de alta absorção |
| Feijão preto cozido | 1 xícara | 3,6mg (combine com vit C) |
| Espinafre cozido | 1 xícara | 6,4mg (folato + ferro vegetal) |
| Lentilha cozida | 1 xícara | 6,6mg (combine com cítrico) |
| Castanha de caju | 30g | 2,1mg ferro vegetal |
| Beterraba cozida | 1/2 xícara | ferro modesto + folato (atenção: não é 'mais ferro' como diz mito) |
Para prevenção: ingestão de ferro adequada conforme orientação profissional individualizada. Combinar ferro não-heme com vitamina C. Evitar café, chá e laticínios junto com refeições ricas em ferro (inibem absorção). Para anemia diagnosticada: a suplementação de ferro deve ser orientada por profissional de saúde, com dose e duração baseadas no grau de deficiência. Monitorar ferritina (reserva) além de hemoglobina.
Sintomas são progressivos: cansaço persistente, palidez (especialmente conjuntiva e palma das mãos), falta de ar em pequenos esforços, palpitações, dificuldade de concentração, queda de cabelo, unhas frágeis e quebradiças, vontade de comer gelo ou terra (pica — sinal clássico de ferropenia). Em crianças, compromete desenvolvimento cognitivo e escolar. Em gestantes, aumenta risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer.
Mito popular. Beterraba tem quantidade modesta de ferro (0,8 mg por 100g) e de baixa absorção. Tem folato útil, mas para anemia ferropriva, fontes de ferro heme (fígado, carne vermelha) e suplementação são muito mais eficazes.
Risco maior de anemia ferropriva sim — ferro vegetal tem absorção menor. Com planejamento (combinar com vitamina C, evitar inibidores), é possível manter ferro adequado. Suplementação pode ser necessária em mulheres vegetarianas que menstruam.
Comuns: náusea, constipação, fezes escuras. Para minimizar: tomar com suco de laranja (melhora absorção e reduz náusea), começar com dose baixa e aumentar gradualmente. Formas queladas (bisglicinato) causam menos efeitos colaterais que sulfato ferroso.
Não. Cerca de 50% são ferroprivas, mas existem anemias por deficiência de B12 (megaloblástica), folato, doença crônica (inflamatória), e genéticas (falciforme, talassemia). Identificar a causa é essencial para o manejo correto.
Hemoglobina começa a subir em 2-3 semanas com suplementação adequada. Normalização completa leva 2-3 meses. Reposição de ferritina (reservas) pode levar 3-6 meses. Manter suplementação mesmo após normalização da hemoglobina é fundamental.
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