
Abordagem alimentar terapêutica em três fases desenvolvida pela Monash University (Austrália) para manejo da síndrome do intestino irritável (SII). É a intervenção nutricional com maior evidência para controle de sintomas gastrointestinais funcionais: 70-80% dos indivíduos com SII respondem positivamente. Não é dieta restritiva permanente — é ferramenta diagnóstica para identificar gatilhos individuais.
💡 Exemplo prático: FODMAPs incluem frutose (maçã), lactose (leite), frutanos (alho/cebola) e polióis (adoçantes). Eliminação é temporária, não permanente.
A dieta low-FODMAP foi desenvolvida por Peter Gibson e Sue Shepherd na Monash University e publicada em 2005. Tem três fases obrigatórias: fase 1 — eliminação (2-6 semanas): restringir todos os grupos de FODMAPs simultaneamente. Se os sintomas melhoram significativamente (a maioria responde em 2-4 semanas), confirma que FODMAPs são gatilhos. Se não melhoram, FODMAPs provavelmente não são o problema principal. Fase 2 — reintrodução (6-10 semanas): reintroduzir um subgrupo de cada vez (frutanos, galactanos, lactose, frutose, polióis sorbitol, polióis manitol), em doses crescentes, por 3 dias, com 3 dias de washout entre testes. Isso identifica quais subgrupos e em que quantidade causam sintomas. Fase 3 — personalização (permanente): manter apenas os gatilhos identificados restringidos, nas doses que causam sintomas. A dieta final é tão liberal quanto possível. A dieta low-FODMAP NÃO é indicada para pessoas sem diagnóstico de SII ou condição gastrointestinal funcional — pode prejudicar a microbiota sem benefício.
| Alimento | Porção | Quantidade |
|---|---|---|
| ALIMENTOS PERMITIDOS NA FASE 1 (baixos FODMAP): | ||
| Carnes, peixes e ovos | 150g | permitidos sem restrição |
| Arroz, quinoa, aveia | 1 xícara cozida | cereais permitidos |
| Banana, kiwi, laranja, morango | 1 unidade média | frutas baixas em FODMAP |
| Cenoura, abobrinha, batata, espinafre | 1 xícara | vegetais permitidos |
| Leite sem lactose, queijo curado | moderado | laticínios sem lactose |
| EVITAR (altos FODMAP): alho, cebola, leite, trigo, maçã, mel | principais gatilhos |
Indicação: SII diagnosticada por critérios de Roma IV (dor abdominal recorrente associada a evacuação, mudança de frequência ou forma das fezes). A dieta deve ser orientada por nutricionista com treinamento em low-FODMAP. Duração da eliminação: mínimo 2 semanas, máximo 6 — estender além sem pode influenciar indica que FODMAPs não são o principal gatilho. A reintrodução é a fase mais importante: sem ela, a dieta é restritiva sem necessidade. O app Monash FODMAP é referência confiável para classificação de alimentos.
A fase de eliminação é nutricionalmente restritiva: remove leguminosas (fonte de fibra e proteína vegetal), trigo (fonte de fibras e vitaminas B), laticínios (cálcio) e muitas frutas e vegetais (vitaminas, minerais, polifenóis). Se prolongada além de 6-8 semanas, pode causar: redução de diversidade da microbiota (prebióticos removidos), deficiência de cálcio (sem laticínios), constipação (menos fibra total) e impacto psicológico (restrição social e ansiedade alimentar). Por isso, profissional experiente é importante para minimizar restrição e garantir adequação nutricional.
Não resolução — pode influenciar sintomas. A SII é condição crônica com períodos de pode influenciar e piora. A dieta low-FODMAP identifica e remove gatilhos alimentares, reduzindo frequência e intensidade dos episódios. Outros fatores (estresse, sono, microbiota) também precisam de atenção.
Não é recomendado: a reintrodução sistemática é complexa e requer planejamento. Sem orientação, o risco é restrição permanente desnecessária, deficiências nutricionais e piora da microbiota. Profissional treinado em FODMAP faz diferença significativa no resultado.
Com cautela e orientação especializada: crianças com SII podem se beneficiar, mas a restrição deve ser mínima e monitorada por risco de impacto nutricional no crescimento. A fase de eliminação deve ser a mais curta possível.
Não é objetivo da dieta e não há evidência de efeito sobre peso. Pode causar perda de peso indesejada pela restrição de alimentos (especialmente se mal planejada). O objetivo é exclusivamente controle de sintomas gastrointestinais.
SII é funcional (sem dano tecidual visível) — diagnóstico por critérios de Roma IV após exclusão de causas orgânicas. Doença celíaca é autoimune (dano real à mucosa intestinal por glúten) — diagnóstico por sorologia e biópsia. Celíaca exige exclusão vitalícia de glúten; SII responde a low-FODMAP. Celíaca deve ser excluída antes de iniciar low-FODMAP.
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