
Vitamina B5, hidrossolúvel, precursora da coenzima A (CoA) e da proteína transportadora de acila, cofatores essenciais no metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas.
💡 Exemplo prático: Uma porção de 100 g de fígado bovino cozido fornece cerca de 7 mg de ácido pantotênico, mais do que a referência nutricional de 5 mg para um adulto.
O ácido pantotênico (vitamina B5) recebe o nome do grego pan, que significa em todo lugar — uma referência à sua ampla distribuição nos alimentos. Sua função central é servir de matéria-prima para a coenzima A (CoA), uma das moléculas mais versáteis do metabolismo: a CoA participa do ciclo de Krebs, da síntese e da degradação de ácidos graxos, da formação do colesterol e dos hormônios esteroides (cortisol, testosterona, estrogênios), da síntese de neurotransmissores como acetilcolina e da formação do grupo heme da hemoglobina. Também é precursora da proteína transportadora de acila (ACP), envolvida diretamente na construção dos ácidos graxos pelas células. Ao todo, o ácido pantotênico atua como cofator de mais de 70 enzimas. A absorção ocorre no intestino delgado e é eficiente em pessoas saudáveis. Por estar em quase todos os alimentos minimamente processados — vegetais, cereais integrais, carnes, ovos e laticínios — a deficiência é rara na população geral com alimentação variada.
| Alimento | Porção | Quantidade |
|---|---|---|
| Fígado bovino cozido | 100 g | 7 mg |
| Cogumelo shiitake cozido | 100 g | 3,6 mg |
| Semente de girassol | 30 g | 2,1 mg |
| Ovos | 2 unidades | 1,4 mg |
| Abacate | 1/2 unidade média | 1,4 mg |
| Peito de frango grelhado | 100 g | 1,3 mg |
| Salmão cozido | 100 g | 1,6 mg |
A DRI/IOM define para o ácido pantotênico um valor de ingestão adequada (AI) de quantidade conforme contexto individual para adultos, sem distinção entre homens e mulheres. Gestantes precisam de quantidade conforme contexto individual e lactantes de quantidade conforme contexto individual. Diferentemente de outras vitaminas do complexo B, não há RDA formal estabelecida por falta de estudos com qualidade suficiente para definir uma necessidade média estimada — por isso usa-se a AI. Também não há limite superior tolerável (UL) definido: doses muito elevadas via suplementação oral parecem ser bem toleradas, com casos isolados de diarreia leve em doses acima de quantidade conforme contexto individual. Suplementação isolada de B5 é incomum e raramente necessária; quando aparece em complexos de vitamina B, a dose habitual é de 5 a 10 mg, suficiente para cobrir as necessidades diárias com folga. Em todos os casos com dúvida, a orientação profissional é preferível a iniciativa própria.
Deficiência isolada de B5 é raríssima e praticamente só foi documentada em condições experimentais ou em situações extremas — como prisioneiros de guerra com desnutrição prolongada, em que se descreveu a chamada síndrome dos pés ardentes (burning feet syndrome): formigamento, ardor e dor em queimação nos pés, especialmente à noite. Sintomas associados a deficiência prolongada incluem fadiga, irritabilidade, dores de cabeça, alterações de humor, dormência e cãibras musculares, distúrbios digestivos e queda de cabelo. na prática nutricional brasileira, deficiência de B5 não é uma preocupação isolada — quando ocorre, geralmente está dentro de um quadro mais amplo de desnutrição que envolve várias vitaminas do complexo B simultaneamente. Grupos de atenção incluem pessoas com alcoolismo crônico, dietas muito restritivas prolongadas, síndromes graves de má absorção intestinal e nutrição parenteral inadequadamente formulada. Pessoas com mutações raras nos genes da síntese de CoA (PKAN) apresentam quadros neurológicos específicos que não são corrigidos com suplementação alimentar comum.
Estudos pequenos com doses muito altas (até quantidade conforme contexto individual) sugerem efeito modesto sobre a acne, possivelmente por reduzir a produção de sebo, mas a evidência é limitada e os estudos têm qualidade metodológica baixa. Doses tão elevadas saem do uso nutricional comum e exigem acompanhamento profissional. Para acne, abordagens com evidência mais robusta (rotina dermatológica adequada, manejo alimentar, sono e hormônios em casos específicos) são o caminho principal.
O pantenol é a forma alcoólica do ácido pantotênico e tem evidência razoável de efeito tópico: hidrata, melhora elasticidade e brilho temporariamente em cabelos e pele. O efeito é local e cosmético, não sistêmico — usar shampoo com pantenol não corrige deficiência alimentar de B5 nem 'nutre o cabelo de dentro para fora'. São abordagens diferentes.
Geralmente não. O ácido pantotênico está distribuído em alimentos vegetais como cogumelos, abacate, leguminosas, sementes, oleaginosas e cereais integrais. Em dietas vegetarianas e veganas bem planejadas, atingir a referência nutricional costuma acontecer naturalmente. As atenções maiores em dietas vegetais são com B12, ferro, cálcio e ômega-3.
Toxicidade conhecida por excesso oral é praticamente inexistente. Doses muito altas (acima de quantidade conforme contexto individual) podem causar diarreia leve e desconforto digestivo, mas não há limite superior tolerável (UL) formalmente estabelecido. Mesmo assim, doses farmacológicas para indicações específicas (como acne) devem ser conduzidas por profissional, não iniciadas por conta própria.
A B5 é cofator central do metabolismo energético via coenzima A, mas isso não significa que suplementar 'gera energia' como um estimulante. Em pessoas com alimentação variada e níveis adequados, suplementar B5 isolada não produz aumento de disposição mensurável. A sensação de energia depende de muitos fatores: sono, hidratação, alimentação equilibrada como um todo, atividade física e manejo do estresse.
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