
Vitamina B1, hidrossolúvel, cofator essencial no metabolismo energético dos carboidratos e na função normal do sistema nervoso.
💡 Exemplo prático: Uma porção de 100 g de feijão preto cozido fornece cerca de 0,2 mg de tiamina, contribuindo com aproximadamente 17% da referência nutricional para adultos.
A tiamina (vitamina B1) participa do metabolismo energético como cofator da enzima piruvato desidrogenase — a etapa que conecta a glicólise ao ciclo de Krebs — e da transcetolase, envolvida na via das pentoses. Sem tiamina, as células não conseguem oxidar carboidratos de forma eficiente, e o sistema nervoso central e o coração (tecidos com alta demanda energética) são os primeiros afetados. Também participa da síntese de neurotransmissores como acetilcolina e GABA. O organismo armazena pouca tiamina (estoque para 2 a 3 semanas), então a ingestão precisa ser constante. A absorção ocorre no intestino delgado e é prejudicada por consumo crônico de álcool, dietas muito pobres em grãos integrais e algumas doenças intestinais. Na prática nutricional, atenção especial vale para gestantes (demanda aumentada), idosos com dieta monótona e pessoas com uso crônico de bebidas alcoólicas.
| Alimento | Porção | Quantidade |
|---|---|---|
| Carne de porco magra | 100 g | 0,7 mg |
| Castanha-do-pará | 30 g (6 unidades) | 0,18 mg |
| Feijão preto cozido | 100 g | 0,2 mg |
| Arroz integral cozido | 100 g | 0,1 mg |
| Aveia em flocos | 40 g | 0,3 mg |
| Semente de girassol | 30 g | 0,5 mg |
| Truta cozida | 100 g | 0,4 mg |
A RDA brasileira para adultos é de quantidade conforme contexto individual para homens e quantidade conforme contexto individual para mulheres (DRI/IOM, adotada pela ANVISA). Gestantes precisam de 1,4 mg e lactantes de quantidade conforme contexto individual. Idosos podem ter absorção reduzida e se beneficiam de ingestão consistente. Pessoas com uso crônico de álcool, em uso prolongado de diuréticos de alça ou após cirurgia bariátrica formam grupos de atenção, e a suplementação quando indicada deve seguir orientação profissional. Não há limite superior tolerável formalmente definido para a tiamina via alimentos — o excesso oral é eliminado pela urina. Em casos hospitalares (síndrome de Wernicke), a reposição é feita por via parenteral em doses elevadas, preferencialmente sob conduta médica.
A deficiência grave de tiamina causa beribéri, que se apresenta em duas formas clássicas: beribéri seco (neuropatia periférica com fraqueza muscular, formigamento e perda de reflexos nos membros inferiores) e beribéri úmido (cardiomiopatia com falta de ar, edema e insuficiência cardíaca). Em pessoas com consumo crônico de álcool, a forma neurológica conhecida como síndrome de Wernicke-Korsakoff cursa com confusão, alterações visuais e perda de memória — e exige reposição parenteral imediata em ambiente hospitalar. Sintomas iniciais e inespecíficos incluem fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, perda de apetite e desconforto digestivo. Em países onde o arroz polido é a base da dieta, a deficiência ainda é relevante; no Brasil atual, é mais comum em situações específicas como alcoolismo, dietas muito restritivas e pós-bariátrica não acompanhada.
Indiretamente, sim — ela é cofator das enzimas que extraem energia dos carboidratos. Mas não se trata de 'tomar B1 e sentir energia' como faz cafeína ou açúcar: a tiamina só cumpre sua função no nível celular, e a sensação de energia depende de vários outros fatores, como sono, hidratação e qualidade da dieta como um todo.
Principalmente pessoas com consumo crônico de álcool, com cirurgia bariátrica, com dietas muito restritivas, com uso prolongado de diuréticos de alça ou em hemodiálise. Para a população geral com alimentação variada incluindo grãos integrais e proteínas, o risco é baixo.
Para a maioria das pessoas, não — uma dieta variada cobre as necessidades. A suplementação de B1 isolada é indicada em situações específicas (alcoolismo, beribéri, síndrome de Wernicke) e deve ser conduzida por profissional habilitado, especialmente em casos graves que exigem via parenteral.
Parcialmente. A tiamina é sensível ao calor prolongado e a meios alcalinos. Cozimentos rápidos, uso do caldo de cozimento (em sopas, por exemplo) e evitar bicarbonato de sódio nos feijões ajudam a preservar parte da vitamina. Mesmo com perdas no preparo, uma dieta variada ainda atinge a recomendação.
Sim, indiretamente: o sistema nervoso central usa muita glicose, e a tiamina é essencial para o metabolismo da glicose. Deficiência importante afeta a cognição e a memória. Em pessoas saudáveis e bem nutridas, no entanto, suplementar B1 isolada não 'aumenta' a memória — a evidência de benefício cognitivo ocorre na correção de deficiências, não no excesso.
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